Blizzard Entertainment processou os apoiadores de Project Ascension no tribunal federal do Distrito Central da Califórnia. Não é uma pequena carta de cessar e desistir ou apenas um único pedido de remoção de DMCA, mas um processo civil de 51 páginas em que a Blizzard constrói uma pilha inteira de reivindicações contra Ascension: violação direta de direitos autorais, incitamento à violação do usuário, violação de direitos autorais contributiva e vicária, não evasão de DMCA, quebra de contrato, prova falsa de origem e duas questões civis federais Requisitos RICO.
A limitação mais importante logo de cara: esse é o traje da Blizzard. Diz o que a Blizzard está reivindicando e o que está pedindo ao tribunal. Não se trata de um julgamento, e a defesa dos réus ainda não consta deste documento. No tribunal, muitas coisas podem mudar, ser restringidas, acordadas ou cair em questões processuais antes mesmo da avaliação real das provas.
Ainda assim, o documento é importante para a comunidade WoW, porque conta muito diretamente como a Blizzard olha para as operações modernas do private server quando inclui seu próprio lançador, seu próprio cliente, suas próprias variantes de reino, comércio, pontos pagos e anos de trabalho de desenvolvimento organizado.
O que aconteceu?
A ação foi ajuizada em 12 de junho de 2026 no processo Blizzard Entertainment, Inc. v. Powell et al. PacerMonitor, conforme súmula, o processo tramita no tribunal federal do Distrito Central da Califórnia, número 8:26-cv-01506. A classificação é um caso de direitos autorais, e o primeiro documento real da ação é a reclamação da Blizzard, ou seja, o documento de início da reclamação/ação judicial.
Indivíduos, empresas e réus Doe não identificados foram nomeados como réus. Segundo a Blizzard, essas entidades formam a rede de desenvolvimento, manutenção, marketing e financiamento do Project Ascension. A ação menciona, entre outros, Derek S. Powell, Bryan Thomas Mannion, Exalted Management Services, Exalted Management and Consultation Services LLC, Lincoln Marshall Simpson, Brien Allen Middaugh, Andrew James Seward, Alexander Steven Kozma, Ye Lwin, Online Management Partners e Does 1-10.
A Blizzard afirma que Project Ascension não é apenas um projeto de fã, mas uma operação com fins lucrativos construída em torno de um cliente WoW não autorizado, servidores emulados, ativos da Blizzard, conteúdo de jogo modificado e um sistema Donation Points pago.
O que é Project Ascension de acordo com a descrição da Blizzard?
De acordo com o processo, Project Ascension é uma coleção de pelo menos seis servidores multijogador que só podem ser acessados através do Ascension Client. A Blizzard o descreve como uma versão modificada do World of Warcraft, jogada sem a permissão da Blizzard, sem conexão com os servidores WoW oficiais da Blizzard e sem uma assinatura WoW ativa.
A Blizzard aponta que Ascension comercializa diferentes formatos de jogos e entidades de reino, como Destiny's Dawn, Warcraft Reborn e Expanded Azeroth. De acordo com o processo, alguns servidores permitem que os jogadores joguem conteúdo vanilla WoW, Burning Crusade e Wrath of the Lich King, mas modificados. Do ponto de vista da Blizzard, o problema não é apenas o nostálgico private server, mas o fato de que as novas classes, profissões, áreas, itens e modos PvP do Ascension são baseados no conteúdo original do WoW da Blizzard e usam arte, modelos, animações, ambientes e base de software da Blizzard.
O processo usa claramente uma linguagem dura sobre Ascension. A Blizzard o descreve não como um mod de fã inofensivo, mas como uma cópia não autorizada e trabalho derivado que compete com a oferta World of Warcraft Classic da própria Blizzard.
A principal reivindicação da Blizzard: não apenas o servidor, mas todo o ecossistema copiado e modificado
A essência da reclamação é esta: de acordo com a Blizzard, os réus copiaram o cliente WoW, modificaram-no, removeram ou contornaram proteções técnicas e fizeram com que ele se conectasse aos próprios servidores do Ascension em vez dos servidores oficiais da Blizzard.
A Blizzard distingue três grandes afirmações técnicas:
- Segundo a ação, o Ascension Client é construído com base no antigo WoW Client.
- Segundo a Blizzard, a lógica de conexão do cliente foi alterada para direcionar o jogador para os servidores do Ascension.
- Segundo a Blizzard, o código foi adicionado ou removido do cliente para que ele pense que está conectado a um servidor oficial ou ignore as verificações, cujo objetivo é garantir um servidor oficial e um cliente licenciado.
Esta é uma diferença significativa em comparação com simplesmente afirmar que alguém está executando um emulador de servidor. A Blizzard constrói o caso de forma que a operação do Ascension exija a cópia e a modificação do software cliente. Se o tribunal aceitasse esta estrutura, não seria apenas uma questão de configuração de “jogadores que se ligam ao servidor errado”, mas também de distribuição de clientes e de contornar salvaguardas técnicas.
De acordo com o processo, Ascension Client contém quase todo o cliente WoW
Uma das alegações mais fortes na reclamação é que os arquivos do Ascension Client são, exceto por alterações, cópias quase perfeitas do WoW Client do qual são derivados. A Blizzard afirma que grande parte do código está incluída, juntamente com toda a arte, música, objetos e outros ativos pertencentes ao cliente WoW protegido por direitos autorais da Blizzard.
Duas coisas decorrem disso no argumento da Blizzard.
Primeiro, qualquer distribuição e download de Ascension Client é uma violação de direitos autorais, de acordo com a Blizzard. Segundo, cada usuário que baixa e instala o cliente faz sua própria cópia local do cliente não autorizado, segundo a Blizzard. Desta forma, a Blizzard pode reivindicar tanto a responsabilidade direta dos réus quanto o fato de os réus terem incitado e ajudado os usuários a cometerem violações.
Por que o Launcher é importante?
Não há nenhum ponto secundário no processo Ascension Launcher. A Blizzard descreve o caminho “Play Now” no site e afirma que o usuário pode essencialmente baixar o inicializador, criar uma conta Ascension e escolher um servidor. O restante das etapas técnicas são realizadas através do sistema Ascension.
Isto é legalmente importante porque apoia a afirmação da Blizzard de que os réus estão tornando tudo mais fácil, fácil de usar e direcionado intencionalmente a um público amplo. A Blizzard, portanto, não descreve a situação como entusiastas técnicos individuais reunindo algo a partir de fontes dispersas, mas como entrevistados oferecendo um pipeline pronto: site, inicializador, cliente, conta, servidores, suporte e loja.
Por esse motivo, alegações de indução e infração contributiva também aparecem na ação. A Blizzard afirma que os réus não estão apenas fazendo algo eles próprios, mas também orientando, encorajando, apoiando e permitindo tecnicamente as violações dos próprios usuários.
Financiamento: Donation Points é uma questão importante de acordo com a Blizzard
Project Ascension tem sido frequentemente comercializado como uma experiência gratuita para jogar. A Blizzard aborda exatamente esse ponto e afirma que, embora seja apresentado como gratuito para jogar, é na verdade uma atividade com fins lucrativos.
De acordo com a denúncia, Ascension vende pontos Donation Points por cerca de US$ 0,50 cada e oferece pontos de bônus para compras acima de US$ 15. De acordo com a Blizzard, esses pontos podem ser usados para itens do jogo, como montarias, manchas e equipamentos cosméticos. A Blizzard afirma que os réus ganharam milhões de dólares com as vendas do Donation Points.
Esta reivindicação de financiamento atende a vários pontos do processo:
- Apoia a reivindicação de benefício comercial.
- Apoia a alegação DMCA, onde a Blizzard alega que as ações são intencionais e para ganho financeiro privado.
- Suporta a seção RICO onde a Blizzard pretende retratar Ascension como uma entidade empresarial contínua, organizada e lucrativa.
- Apoia pedidos de indemnização e liquidação de lucros.
Se o financiamento fosse puramente uma doação aleatória sem retorno, a história da Blizzard seria mais fraca. A denúncia tenta, portanto, mostrar que, do ponto de vista da Blizzard, “doação” não é uma doação no sentido comum da palavra, mas a compra de moeda virtual numa atividade que gira em torno dos direitos autorais da Blizzard.
Papéis dos entrevistados de acordo com a Blizzard
O processo passa pelos réus um por um. A Blizzard afirma que Derek Powell e Bryan Thomas Mannion são os proprietários, operadores e idealizadores do Project Ascension. Eles supostamente gerenciam operações, supervisionam o desenvolvimento, gerenciam negócios, contratam e supervisionam funcionários, coordenam o marketing e garantem que o cliente e os servidores estejam funcionando.
Exalted Management Services e Exalted Management and Consultation Services LLC são descritas na denúncia como empresas de fachada ou empresas subcapitalizadas cujo objetivo, segundo a Blizzard, tem sido manipular fluxos de caixa, evitar responsabilidades fiscais e proteger ativos. Claro, estas são afirmações da Blizzard, não fatos confirmados pelo tribunal.
Lincoln Marshall Simpson é descrito como um Gamemaster Sênior que auxilia os jogadores na instalação do cliente e na conexão aos servidores. Diz-se que Brien Allen Middaugh faz parte da equipe criativa e está desenvolvendo o conteúdo de Ascension a partir dos próprios ativos da Blizzard. Andrew James Seward supostamente desenvolveu o lado do sistema personalizado e codificou o software do servidor e do cliente. Alexander Steven Kozmaa é descrito como um líder de lançamento que supervisiona atualizações e alterações. Ye Lwin é considerado um desenvolvedor principal que participa do desenvolvimento de software de servidor ou cliente. Online Management Partners, por outro lado, é descrito como a entidade por meio da qual são coletados os pagamentos das doações.
Este mapa de réu é uma das razões pelas quais o processo parece maior do que um caso private server padrão. A Blizzard não visa apenas um domínio ou projeto anônimo, mas tenta nomear pessoas e empresas por função.
Qual é a teoria de proteção técnica da Blizzard?
Na reclamação, a Blizzard explica bastante a estrutura técnica do WoW. De acordo com a Blizzard, jogar WoW requer duas coisas: software cliente local e uma conexão com os servidores da Blizzard. O cliente e o servidor se comunicam por pacotes, e a Blizzard utiliza verificações técnicas e tráfego criptografado para garantir que o usuário está usando o cliente correto e conectado ao servidor oficial.
Segundo a Blizzard, WoW Client normalmente não funciona a menos que esteja conectado aos servidores oficiais da Blizzard. A ação alega que o Ascension teve que remover ou alterar essas peças para que o cliente conectasse o Ascension aos servidores. Além disso, a Blizzard afirma que a criação dos servidores Ascension exigiu descompactação e engenharia reversa.
Isso está diretamente relacionado ao requisito DMCA. As disposições 1201 do DMCA abordam a evasão de salvaguardas técnicas e o fornecimento de tecnologias de evasão. O que a Blizzard está tentando dizer é que Ascension não está apenas copiando conteúdo, mas também contornando os sistemas que a Blizzard usa para controlar o acesso ao mundo virtual seguro de WoW.
EULA Share: Blizzard afirma que Ascension está induzindo os jogadores a quebrar o acordo
O processo não se limita apenas aos direitos autorais. A Blizzard também afirma que os jogadores concordam com os termos Battle.net e WoW de EULA antes de jogar oficialmente. Segundo a Blizzard, essas condições proíbem, entre outras coisas, servidores emulados e versões de clientes não autorizadas.
Depois disso, a Blizzard diz que os usuários do Ascension geralmente são jogadores atuais ou antigos do WoW que já aceitaram o EULA. Os réus supostamente sabem disso e ainda incentivam os jogadores a baixar o Ascension Client, jogar nos servidores do Ascension e violar seus contratos com a Blizzard.
Esta é a sexta alegação da ação: interferência intencional nas relações contratuais. Traduzido livremente, a Blizzard afirma que os réus estão interferindo intencionalmente nas relações contratuais entre a Blizzard e os jogadores.
Marcas registradas e origem falsa
A sétima alegação refere-se a Lanham Act e declaração falsa de origem. A Blizzard afirma possuir os direitos de marca registrada associados a World of Warcraft e à marca WoW, incluindo o nome e logotipo WoW.
De acordo com a ação, Ascension utilizou as marcas WoW e marcas que podem ser confundidas com elas no site, nas redes sociais, no YouTube e nos próprios serviços de jogos. A Blizzard afirma que isso pode enganar o público sobre se Project Ascension é licenciado, endossado, patrocinado ou de outra forma endossado oficialmente pela Blizzard.
A parte da marca é importante porque não depende apenas da cópia do código do cliente. Mesmo que alguma parte das reivindicações de direitos autorais seja reduzida, a Blizzard também está tentando manter a alegação de que Ascension explora o reconhecimento da marca WoW de uma forma que cria um risco de confusão.
RICO torna o case excepcionalmente pesado
Muitos jogadores notam os pontos RICO primeiro no documentário. RICO ou Lei de Organizações Corruptas e Influenciadas por Racketeers é frequentemente conhecida por casos relacionados ao crime organizado, mas também é usada em casos civis se o autor alegar que os réus formaram uma entidade empresarial e se envolveram em repetidas atividades de extorsão.
A teoria RICO da Blizzard é que os Réus formam uma empresa de associação de fato com o propósito de desenvolver, comercializar, vender e distribuir Project Ascension. A Blizzard descreve Ascension como uma rede de desenvolvimento, vendas e tráfico que opera há pelo menos cinco anos e realiza transações com usuários nos Estados Unidos e em todo o mundo.
Em RICO, a Blizzard nomeia pelo menos duas entidades como base do ato predicado:
- alegado abuso de marcas registradas e atividade de marca falsificada
- alegada violação criminal de direitos autorais para ganho financeiro privado
Você tem que ter cuidado aqui. A apresentação de uma reclamação civil RICO não significa que os réus tenham sido condenados criminalmente. Na ação civil, a Blizzard está tentando construir um argumento de que a estrutura, continuidade, financiamento e supostos atos subjacentes atendem aos requisitos de RICO. É uma reivindicação ambiciosa e onerosa, cujo sucesso depende de muitas questões legais e probatórias.
As nove demandas do processo em linguagem simples
A primeira alegação é violação direta de direitos autorais. A Blizzard alega que os Réus estão copiando, modificando, distribuindo e executando ou ativando o conteúdo protegido de WoW sem permissão.
Outro requisito é o incentivo à violação de direitos autorais. Aqui, a Blizzard alega que os Réus encorajaram ativamente os usuários a infringir os direitos da Blizzard baixando e usando Ascension Client.
A terceira alegação é a violação contributiva de direitos autorais. Isto se baseia na ideia de que os réus sabiam das violações dos usuários e forneceram as ferramentas, instruções, infraestrutura e suporte essenciais para fazê-lo.
A quarta alegação é violação indireta de direitos autorais. A Blizzard alega que os Réus têm o direito e a capacidade de monitorar a atividade do usuário no Serviço Ascension e que se beneficiam financeiramente da atividade infratora dos usuários.
A quinta reclamação é uma violação de DMCA. A Blizzard alega que Ascension Client contorna as salvaguardas técnicas da Blizzard e que os réus fornecem tecnologia de evasão ao público.
O sexto requisito é a interferência intencional nas relações contratuais. Segundo a Blizzard, os réus conhecem o EULA e ainda incentivam os jogadores a quebrá-lo.
O sétimo requisito é a falsa denominação de origem. A Blizzard afirma que o uso das marcas WoW e marcas mistas pode levar o público a acreditar que Ascension é oficial, licenciado ou endossado pela Blizzard.
O oitavo requisito é civil federal RICO, participação nas atividades da entidade empresarial. A Blizzard tenta retratar Ascension como uma rede organizada, contínua e lucrativa.
A nona alegação é a conspiração RICO. A Blizzard alega que os réus conspiraram ou cooperaram para promover a mesma entidade empresarial.
O que a Blizzard está pedindo ao tribunal?
Na seção Oração por socorro, a Blizzard pede várias coisas.
Primeiro, busca uma liminar preliminar e permanente que impeça os réus de infringir os direitos autorais da Blizzard, incitar ou ajudar infrações de terceiros, fornecer tecnologia de evasão e interferir nos acordos dos jogadores da Blizzard.
Em segundo lugar, a Blizzard está pedindo ao tribunal que ordene que os servidores Project Ascension, Ascension e cópias semelhantes sejam desligados, independentemente do domínio, endereço, local ou provedor de serviços em que estejam hospedados.
Terceiro, a Blizzard solicita que os Réus liberem à Blizzard todos os materiais infratores, incluindo todas as versões do Ascension Client.
Quarto, a Blizzard solicita a prestação de contas de qualquer dinheiro arrecadado de produtos ou serviços que infrinjam os direitos da Blizzard.
Quinto, a Blizzard exige compensação monetária. Ele busca danos reais e lucros dos réus ou danos legais, incluindo danos relacionados à violação intencional de direitos autorais e evasão de DMCA.
Sexto, a Blizzard busca honorários advocatícios e honorários advocatícios.
Além disso, a Blizzard exige um julgamento com júri nas questões onde for permitido.
O que isso significa para os jogadores agora?
O impacto imediato sobre os jogadores depende de como o tribunal procederá e se a Blizzard buscará uma liminar rapidamente. A simples apresentação de uma reclamação não encerra automaticamente o serviço. No entanto, isso coloca o Project Ascension sob forte pressão processual.
Se a Blizzard solicitar e receber um banimento preliminar, as consequências podem ser rápidas: o uso de domínios, servidores, distribuição de clientes, sistemas de pagamento e canais de suporte pode tornar-se difícil ou parar. Se o caso progredir mais lentamente, os próximos passos poderão ser a entrega de documentos, as respostas dos réus, possível pedido de indeferimento dos pedidos, descoberta e negociações de acordo.
Do ponto de vista do jogador, o maior risco prático é que a continuidade do serviço private server não seja confiável se toda a sua estrutura técnica e financeira estiver sujeita a litígios. A demanda da Blizzard não é apenas para um único arquivo, mas para que toda a entidade Project Ascension seja desligada.
Por que isso também se aplica ao campo private server mais amplo?
Este processo foi redigido de uma forma que não trata apenas de Ascension. Ele cria um modelo para a Blizzard descrever o projeto moderno private server como um negócio de serviços completo:
- cliente modificado
- próprio lançador
- servidores emulados
- copiar conteúdo antigo do WoW
- novos recursos derivados dos ativos da Blizzard
- marketing social
- Comunidade de discórdia e apoio
- sistema de pontos pagos
- anos de desenvolvimento organizado
Se a Blizzard tiver sucesso nesta teoria, o impacto também pode se estender a outros projetos, que não são apenas servidores de hobby que visam preservar a história, mas na prática seus próprios serviços MMO pagos além do IP da Blizzard.
Por outro lado, também é possível que o julgamento termine num acordo antes de o tribunal emitir orientações gerais semelhantes a uma decisão prejudicial. Nesse caso, a comunidade pode obter um resultado final, mas não necessariamente um limite legal claro de onde está a linha entre projeto de fã, emulação, modding e private server comercial.
O que há de novo aqui em comparação com as antigas disputas private server?
WoW-private servers não são um fenômeno novo. Ao longo dos anos, a Blizzard emitiu pedidos de remoção, encerrou projetos e defendeu os seus direitos de propriedade intelectual. Neste caso, porém, chama-se a atenção para três coisas.
Primeiro, o traje é muito detalhado. Ele passa pela estrutura técnica cliente-servidor, EULA, lógica de controle de acesso, site Ascension, inicializador, servidores, sistema de financiamento e funções de respondentes individuais.
Em segundo lugar, a Blizzard não se baseia apenas numa afirmação. Copyright, DMCA, Termos de Serviço, Marca Registrada e RICO estão incluídos. Isso torna o processo mais oneroso e dá à Blizzard vários caminhos alternativos caso a reclamação não seja válida.
Terceiro, o processo fala do Project Ascension diretamente como uma operação comercial e organizada, e não apenas um fan service voluntário. Donation Points, milhões de downloads, mais de um milhão de jogadores e receitas de milhões reivindicadas fazem parte deste quadro.
Contra o que Ascension pode argumentar?
Este documento não inclui uma contrapartida ao Ascension, portanto o que se segue é apenas uma avaliação lógica dos tipos de questões que os réus podem tentar litigar.
Eles podem contestar as afirmações técnicas da Blizzard: quanto do cliente foi copiado, o que foi compartilhado, quem compartilhou, o que o próprio usuário baixa e que parte é de seu próprio desenvolvimento. Podem contestar a natureza ou a extensão dos pedidos de financiamento. Eles podem argumentar que Donation Points não são o benefício econômico que a Blizzard retrata. Eles podem contestar a jurisdição pessoal se alguns dos réus viverem fora dos Estados Unidos. Eles podem tentar separar as funções dos desenvolvedores individuais das dos operadores principais.
As reivindicações RICO são geralmente particularmente vulneráveis a ataques na fase de pedido de rejeição porque devem atender às condições exatas de empreendimento, padrão e ato predicado. Os réus podem, portanto, tentar tirar pelo menos parte da entidade RICO do caminho, mesmo antes de uma descoberta extensa.
No entanto, isso não diminui o fato de que a Blizzard tem múltiplas reivindicações paralelas. Mesmo que RICO seja reduzido, as ações de direitos autorais e DMCA ainda podem sobreviver.
O que deve ser seguido a seguir?
A primeira coisa concreta é a citação: todos os réus nomeados serão incluídos no processo e com que rapidez. Depois disso, você deverá monitorar se consta no processo um pedido de liminar. Se houver, o cronograma pode ser claramente acelerado.
Outro grande ponto é a primeira reação dos entrevistados. Haverá uma resposta, uma moção de acordo, uma moção para demitir, uma afirmação de jurisdição ou alguma combinação destes? Em particular, o processo poderá exigir esclarecimentos adicionais relativamente ao arguido que reside no estrangeiro e à entidade potencialmente pouco clara Online Management Partners.
A terceira coisa a monitorar é o tráfego de pagamentos. Se a Blizzard solicitar contabilidade, devolução de ganhos ou descoberta relacionada a serviços de pagamento, o sistema Donation Points pode se tornar o núcleo prático do assunto.
A quarta coisa a observar é se o Project Ascension continuará a funcionar da mesma maneira. Se o site, o launcher, os pagamentos, a comunidade Discord ou os servidores mudarem repentinamente, isso pode indicar que o processo já está afetando o histórico.
Resumo
O processo da Blizzard contra Project Ascension é muito mais do que uma reclamação de direitos autorais contra um private server. É uma tentativa de retratar Ascension como um sistema comercial completo que a Blizzard afirma copiar o cliente WoW, contornar proteções técnicas, redirecionar jogadores para servidores não autorizados, usar marcas registradas da Blizzard, encorajar jogadores a violar EULA e coletar dinheiro usando o sistema Donation Points.
A parte mais difícil da capa é RICO. Isso tira o tom da disputa usual de IP da indústria de jogos e tenta enquadrar Ascension como uma entidade empresarial de longo prazo, organizada e repetidamente infratora. Ao mesmo tempo, requisitos mais tradicionais, como violação de direitos autorais e DMCA, constituem a espinha dorsal prática do caso.
Tudo o que é certo neste momento é que a Blizzard entrou com uma ação judicial e está pedindo ao tribunal que feche Project Ascension, ordene a liberação dos materiais, estabeleça o fluxo de caixa e conceda indenização monetária. Todo o resto depende de como os réus reagirão e de como o tribunal tratará o processo nas próximas etapas.
Fonte e delimitação
Este artigo é a compilação localizada do documento judicial do próprio wow-anniversary.fi. Não é uma tradução direta da publicação original nem um parecer jurídico.